Começando por algum lugar: A paixão pelo ensino se perdeu…
Sim, resisti até onde pude.
Mas, acabei falhando terrivelmente em resistir a ter um blog, e acabei arrumando mais alguma coisa para me dedicar.
Sempre brinquei com os amigos, e a Cris deve se lembrar disso, quando dizia que “sempre desejei criar um blog, mas nunca descobri o que eles comiam”… Rs. Agora descobri. Depois de uma semana enrolando, estou fazendo esse post a uma da manhã, de um sábado, que devo trabalhar.
Agora que estou aqui, vou falar de algo que tenho entalado na garganta faz um tempo. Obviamente vou usar esse espaço, para desferir minhas críticas inflamadas sobre coisas que eu acho que estão erradas, e o professor, é uma delas. Não, não um professor em particular, mas a figura do professor hoje em dia.
Para políticos, que já foram alunos e passaram por alguns professores, somos um bando de “pidões” que nunca se cansam de reclamar das baixas remunerações. Sempre querendo mais e mais. – “Um problema esses professores”.
Me recordo de ter assistido na sessão da tarde, filmes como “Ao mestre com carinho”, “Mentes perigosas”, e mais um monte deles, que abordavam diretamente a problemática do ensino, e a postura desse profissional (o professor) com relação aos alunos.
Falta paixão no ensino. Falta o envolvimento do professor com o aluno. O professor não está ali apenas para ensinar a disciplina para a qual ele estudou e se dedicou para ensinar. Antes de qualquer coisa, um professor, deveria ser visto como um modelo, um exemplo a se seguir. E fico muito feliz quando ouço coisas do tipo “Professor, voçê é um exemplo a ser seguido”. Sinto que toda a dedicação, todas as noites mal dormidas de estudo, todos os momentos que abri mão da família, dos amigos, valeu a pena.
A dura verdade…
Acontece que a coisa não é bem assim. Hoje, o professor está prostituído entre milhares de aulas que deve ministrar para conseguir ter uma vida financeira semi-tranquila. Digo semi, porque a não ser que se ministrem aulas todos os dias, no minimo 8 horas por dia, seu salário será algo em torno de poucos mil reais, em um contraste absurdamente discrepante do mercado, que paga a um estagiário qualquer, algo em torno de mil reais.
O professor dá às oito horas de aula por dia, e em que momento, ele prepara as aulas do dia seguinte? Da semana que vem? Em que hora se corrige trabalhos e provas? Não me espanta afirmar que falta paixão no ensino. Porque se você não está apaixonado por alguém, você não irá se dedicar. Você não vai sair meia hora mais cedo do trabalho para passar em uma floricultura comprar flores, ou mesmo sair mais cedo do trabalho e preparar aquele jantar especial. Esquece… não dá.
Fica mais fácil (para não dizer comodo) dar um trabalhinho em sala de aula (mesmo porque, mais que isso e os alunos entram em pânico). E a pesquisa? Claro! Um professor é um pesquisador. A palavra “teoria” vem do grego “theoria”, que significa “contemplar”, “olhar”. Em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, Rubem Alves complementa: “Para se ver, é preciso que o objeto esteja distante dos olhos e do corpo.”
Isso significa que, sendo um professor um teórico, ele deve estar sempre a pesquisar “contemplando”, “olhando” sobre sua área de atuação. Mas, que horas ele faria tal coisa? Ah sim, logo depois de oito horas de aulas. Afinal de contas, o professor, não tem família, não tem filhos, nem precisa descansar.
E então, eu pergunto: Alguma paixão resiste a esse descaso? Não que eu esteja criticando as Instituições de ensino, ou mesmo os professores por não possuírem mais aquele brilho nos olhos, aquele sorriso de satisfação ao realizar “o parto” em algum aluno, e mostrar para ele, as possibilidades, e talvez, ajudar a fazer um mundo melhor.
Minha crítica é contra a sociedade mesmo. A “nós mesmos”. O fato que enquanto não ensinarmos nossos filhos a respeitarem os professores, como nossos pais nos ensinaram, seremos tão responsáveis, quanto nossos filhos que zombam dos professores por serem professores, e que, ao assumirem cargos políticos, chamam esses mesmos professores, de “pidões insatisfeitos”.
E pensar que em outros países, é uma “honra” ser professor. Mas se por um momento, esse texto fez você parar e refletir sobre como tem tratado seus professores, ou ao menos, entender porque as vezes é tão difícil se dedicar a uma turma que não se interessa por nada, já fizemos um grande progresso.
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Fábio, bem vindo ao Brasil e a realidade desmotivante que nos cerca. Preciso confessar, eu adoro uma aula de verdade, mas me é muito triste saber que para o meu querido professor (a) que esta lá frente pouco tem para ser recompensado por nos passar algo tão bom que é o ensino. Então, alunos aproveitem as poucas aulas de verdade que vocês tem, e professores dêem o máximo de si para quem quer contemplá-los.