Apresentação de TCC´s na FIT

Hoje participei da banca da turma de Pós Graduação em Arquitetura de Informação, na FIT. E gostaria de compartilhar o que experienciei hoje.

Ministrar aula em pós-graduação, é complicado. Muito pouco tempo, para passar muita informação, e uma informação selecionada, qualificada, com o objetivo de somar essa informação as atividades dos alunos em sala de aula, para gerar conhecimento como resultado. O problema, é que no fim das contas, sabemos como professores que nem todo aluno que não entendeu, questiona e nem todo aluno que entendeu, está motivado a participar, entre outras coisas.

Como então garantir que o conhecimento programado, seja gerado através dessa soma, e por fim, aplicável à vida profissional deste especialista? Provas e trabalhos, não são suficientes para esse tipo de avaliação, mas o trabalho de conclusão de curso, parece atingir esse objetivo.

O trabalho de conclusão de curso, é aquela prova final, que soma todas os conhecimentos adquiridos nessa trajetória curta, e que passa muito rápido. Hoje, foi a vez da turma 2. E o resultado, foi além das minhas expectativas. Não que em algum momento tivesse questionado os alunos, ma em uma cidade como São Paulo, que é impossivel chegar em um destino no horário planejado, demandas “supresas” de clientes nos respectivos ambientes de trabalho além de toda sorte de imprevisto e “pegadinhas”, eu particularmente esperava que fosse feito o trabalho proposto, e ponto.

Mas, logo ao ler o tcc, a primeira surpresa: todos os trabalhos, estavam impecáveis (claro, uma correçãozinha aqui, outra ali, mas dentro do contexto e proposta, os trabalhos estavam profissionais). Percebi que todas as personas, estavam bem construidas, sem achismos, e com a preocupação real de usar as informações desta persona, para entender comportamentos, têndencias de consumo, interações ( acho que a minha indginação sobre personas de cabelos coloridos e desenhos, fez algum sentido aqui…rs) Li e fiz sugestões nos trabalhos, e então, fui para a apresentação.

Em primeiro lugar, é mérito de todos os alunos, chegarem até aqui, conseguindo amarrar muito bem as pontas entre as disciplinas ministradas. Em segundo lugar, fiquei surpreso, como as propostas foram inovadoras, e como extrapolaram o esperado (web) e foram buscar expertises em outros meios, como o celular, com uso de realidade aumentada.

A forma como conduziram o trabalho, desde a idéia e planejamento, até a construção e execução de fluxos, sitemaps, wireframes, layout, testes de usabilidade, foram motivadoras, e coloca muito “profissional senior” ai no mercado, no chinelo. E ai, a outra surpresa: foram além, chegando a desenvolver um beta, e colocando no ar, cerca de três meses antes da banca, e mostrando resultados da pesquisa aplicada, ou no caso do eucompraria.com.br que saiu do papel,  com resultados mensuráveis….  só tenho elogios a distribuir.

Mas não foi “apenas tudo isso”. A forma que conduziram a apresentação, a postura, a firmeza e a fé naquilo que defendiam ser uma ótima “sacada”, foi a cereja do bolo. Tirando a parte do salmão na manteiga wassabi, que a @Tassiaspinelli preparou durante o trabalho e esqueceu de chamar os professores, ganhei até “biscoitinhos caninos” e um CD para relaxar meu cão, que obviamente, usarei em algumas pessoas em casa =)

Enfim, gostaria de encerrar com um conselho para esses alunos, que não mais alunos, agora, amigos:

Olhem para trás nesse momento, e reavaliem a trajetória de vocês. Lembrem-se de como entraram, e de como estão saindo. Façam a diferença no mercado de trabalho, não somente com as competências conquistadas e as expertises desenvolvidas, mas com muito zelo e ética. Acima de tudo, percebam que apenas conhecimento, não é nada, se esquecerem de recoonhecer as pessoas que estão do seu lado. Não só a familia, como os amigos e os colegas de trabalho.

Para finalizar, um pequeno texto, para reflexão:

Embora vá falar acercado que escrevi – os meus livros, os meus artigos e outros trabalhos -, acontece que, infelizmente, esqueço o que escrevo quase imediatamente depois de acabar.
Provavelmente, isso trará alguns problemas. Creio, no entanto, que há alguma coisa de significativo no facto de eu nem sequer ter a sensação de haver escrito os meus livros. Tenho, ao contrário, a sensação de que os livros são escritos através de mim, e, logo que acabam de me atravessar, sinto-me vazio e em mim nada fica.

Estarão lembrados de que escrevi que os mitos despertam no homem pensamentos que lhe são desconhecidos. Essa afirmação tem sido muito debatida e até criticada pelos meus colegas de lingua inglesa, porque entendem que, dum ponto de vista empírico, é uma frase que, em última análise, não possui qualquer significado. Mas para mim ela descreve uma experiência vivida, porque exprime precisamente o modo como eu percebo a minha própria relação com a minha obra. Ou seja, minha obra desperta-me pensamentos desconhecidos para mim.

Nunca tive, e ainda não tenho, a percepção do sentimento da minha identidade pessoal. Apareço diante de mim mesmo, como o lugar onde há coisas que acontecem, mas não há o “eu”, não há o “mim”.

Cada um de nós é uma espécie de encruzilhada ondem acontecem coisas… “

Levi-Strauss, Claude. (Mito e significado, Lisboa, Edições 70,1989, pp.13

Que os trabalhos de vocês, despertem-lhes pensamentos desconhecidos e aproveitem, as coisas que acontecerão em vocês.

Um grande abraço a todos,
Fabio Palamedi.

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Comentários

Fabio, concordo muito com você! Foi um prazer enorme fazer esse trabalho de conclusão, ali que todos os ensinamentos se consolidaram, ali que tudo fez sentido. Super recomendo! =)

Obrigada pela força e pela amizade!

abs!

Oi Fábio, muito obrigada pelas palavras, pelos conselhos e pela semente plantada na sua disciplina para desenvolvermos o nosso trabalho! Com certeza o curso me enriqueceu 100%, mostrou caminhos que pretendo seguir, é claro que não foi fácil, mas tudo valeu a pena!

E se for viajar, não esqueça de consultar o http://www.quemvaiquemleva.com.br!!! :)

Abraços!

[...] professor Fabio Palamedi fez um post no Blog dele passando suas impressões. Vale a pena dar uma [...]

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