Uma odisséia de Arthur Clarke
Ontem assisti um documentário do GNT sobre Arthur Clarke. Aquela famosa frase de que a vida imita a arte, pode ser muita verdade, principalmente quando falamos dele. Muita gente conhece o filme “2001 – uma odisséia no espaço”. O que muita gente não sabe, é que ele foi a pessoa que “sonhou” com a comunicação global, antes de qualquer um. O satélite em órbita, foi um feito, inspirado nele. Ou melhor, alguem leu seu artigo “Can Rocket Stations Give Worldwide Radio Coverage?”, e se perguntou: Porque não” ?
Hoje, a órbita geoestacionária também se chama “Órbita Clarke”
Um gênio critico do gênero de SCI FI (ficção cientifica) criou histórias geniais acerca do uso da tecnologia, e como o homem se relacionaria a ela (ou ela com ele, no caso de HAL – o primeiro computador consciente enlouquecido / assassino mostrado em uma tela de cinema).
A principal questão a meu ver, e o que tem me preocupado realmente, é como a tecnologia afeta o ser humano. Meu filho, que tem apenas 8 anos, já da sinais não somente de familiaridade com a tecnologia, mas tambem comportamentos que só são possiveis, por causa do fácil acesso a informação e a alto nivel de interatividade que a tecnologia possui hoje (só falta ela lhe convidar para tomar um chá).
Me recordo do meu espanto quando acessei a internet pela primeira vez (na sua versão somente texto, que na época se chamava BBS). A BBS, era um “reino mágico” onde os geek´s podiam se reunir, e jogar conversa fora por horas (muitas vezes a madrugada passava rápido demais) e eventualmente, quando a conexão mostrava sinais de ótima performance, tentar trocar imagens de 20 a 30 kb. Voltando ao caso do meu filho é que, a primeira vez que ele com apenas 8 anos usou a internet (detalhe, ele ainda está aprendendo a ler e escrever), acessou rapidamente o site do cartoon network, com uma desenvoltura que me chocou, acessou o joguinho do Bem 10 (desenho pelo qual ele é vidrado) e, começou a jogar, sem se dar conta do “feito” que tinha realizado.
“A descoberta do osso”
A própria história de 2001, espanta muito mais pelo fato de que um computador tem personalidade e “conciência dele mesmo”, e acabamos por deixar passar um pequeno detalhe, que Arthur Clarke coloca com muita sagacidade, e que pelo fascinio da inteligência artificial, não percebemos com muita facilidade: O osso.
“O homem descobriu o osso como uma estensão de si mesmo”. Essa frase por si só, é cheia de significado. Veja bem. Primeiro, o homem “descobriu”. O homem, é o único animal que tem a habilidade de fazer descobertas, e consequentemente ser “mudado” por elas. Quando o simeo no filme, pega o osso, e bate ele contra os ossos do animal ali exposto, e os ossos quebram facilmente, ele percebe que ele pode usar aquilo como uma “ferramenta”.
O homem descobriu uma ferramenta. Mas quando o homem em uma “guerra territorial” contra outros simeos usou a ferramenta recem descoberta é que então inicia sua jornada evolucionista. Claro! Porque não? Aquele osso tornou o homem, que era fraco e incapaz de derrotar seu inimigo em uma guerra territorial ( o território inimigo tinha uma fonte de água – claro, porque a guerra sempre precisa ser justificada), conseguiu derrotá-lo, porque usou uma ferramenta para tal.
Era a vez, do cérebro. A inteligência vence a força. A pena vence a espada.
Inteligência e descoberta
Após o inicio da jornada evolucionista que o homem iniciou, ele inventou todos os tipos de ferramentas que pudessem ampliar suas “debilidades”. Não que o homem por si só fosse débil em suas capacidades naturais, mas quando falamos em construir uma pirâmide, o homem é totalmente inútil sem ferramentas. O homem é incapaz de levantar um bloco de pedra de 1 tonelada, mas com algumas polias, mamutes (no caso do filme 10.000 AC) e muita mão de obra escrava, ficava mais simples. “Dada mão de obra barata e recursos infinitos, temos as piramides do Egito” – Piada de gerente….rs
Mas finalmente chegamos ao limite. O próximo passo é a inteligência artificial. Se já não esgotamos nossa capacidade criativa de inventar ferramentas, estamos perto de fazê-lo, e então, somos obrigados a nos voltar para nós mesmos: o ser humano (a não ser que queiram criar um elevador espacial de Arthur Clarke).
Quando se fala em inteligência artificial, os cientistas e pesquisadores veem, e se dão conta de quão complexo é o ser humano, pelo simples fato de serem incapazes de criarem um computador com a inteligência de uma barata – e existe um prêmio nobel para quem consiga fazê-lo . E finalmente, depois de uma jornada instrumentalista, começamos a pesquisar o homem. Como a inteligência, conciência, julgamento, criatividade, razão funcionam?
Muita gente já se questionou sobre isso. A pesquisa de usabilidade em sites, softwares e produtos, são mero reflexo dessa “pesquisa por si mesmo” do homem. Sabemos que cada um de nós é diferente, em todos os aspectos. E esses testes apontam com mais “precisão” o que as pessoas pensam ou como agem, diante do nosso produto.
Isso deveria ser óbvio, porque estamos produzindo “sonhos” para o homem. E por mais óbvio que pareça, tem gente que não se ligou nisso ainda. Mas, o homem custuma buscar seus sonhos. Arthur Clarke sonhou com uma comunicação baseada em satélite, e o próprio homem buscou realizar esse sonho. E voce? Com o que anda sonhando?
Se você gostou deste post, escreva um comentário e/ou cadastre-se em nosso feed.
Comentários
Caro Flávio, muito obrigado pelos comentários. Na verdade, estou aprendendo a escrever ainda, e estes textos iniciais são apenas alguns ensaios. Decidi escrever sobre Arthur Clarke, porque de fato, ele é uma inspiração. Sobre a inteligencia vencer a força física, bem , isso é um pensamento que encontramos em Voltaire, que afirmou que “a pena é mais forte que a espada”, mas podemos resgatar muitos pensamentos de Confucio.
Me tornei fã de Arthur C. Claker, depois de assitir um documentário exibido pelo History channel (se não me engano), e tambem, depois de descobrir, que ele era contemporâneo de outro ficcionista igualmente genial : H.G.Wells.
Com relação a sonhos, é interessante tocar no assunto. Me intriga a forma como só damos forma as coisas que sonhamos. Já diria um filosofo por mim desconhecido: “Antes de realizar um sonho, é mister sonhá-lo antes.
[],s!

Gostei muito do texto. Estava lendo por que estou criando uma revista em quadrinho na qual o personagem cita sobre a inteligência vencendo a força fisíca. E tem mais, sou fan de Artur C. Claker.
A sua frase,( não de Claker):”Arthur Clarke sonhou com uma comunicação baseada em satélite, e o próprio homem buscou realizar esse sonho. E voce? Com o que anda sonhando?”
acho estou realizando esse sonho de criança agora.